Preservar o patrimônio

por acm

Adelmir Santana

Presidente da Fecomércio-DF, entidade que administra o Sesc, o Senac e o Instituto Fecomércio no Distrito Federal.

Nenhum tipo de interesse, muito menos o especulativo, pode estar acima de Brasília. Neste caso, quem defende a cidade são os seus cidadãos, as suas instituições, os órgãos de preservação do patrimônio, a universidade e os veículos de comunicação.Se a sociedade brasiliense, representada por esses grupos, está contra a aprovação do atual texto do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico da cidade (PPCub), é inadmissível que o Governo do Distrito Federal ainda insista em aprovar a proposta. O argumento de que a discussão se arrasta há quatro anos é válido, mas não é o suficiente para promover alterações que, em vez de preservar, ameaçam o futuro da capital.

A posição do GDF abre espaço para várias perguntas. A primeira delas: se a proposta foi amplamente debatida, como diz o governo, por que as autoridades não corrigiram os problemas? Somente algumas sugestões foram acatadas. Permanecem no plano a implantação da Quadra 500 do Sudoeste, a construção de edifícios na 901 Norte, a ocupação da orla do Lago Paranoá, a criação de um setor habitacional atrás da Rodoferroviária e a possibilidade de estacionamentos subterrâneos na Esplanada. Nenhum desses projetos é consensual, não se sabe qual impacto eles terão e alguns colocam em risco a qualidade de vida e o título de capital patrimônio da humanidade.

Outra pergunta bastante pertinente é: qual o interesse em aprovar o PPCub agora? Por que o governo não aproveita as discussões para aprofundar o debate? O mais prudente, inclusive, seria interromper o processo de análise no Conselho de Planejamento (Conplan) diante das polêmicas e por falta de embasamento jurídico. Não por acaso, o Ministério Público questiona a composição do órgão, onde o governador é soberano para indicar quem são os seus integrantes.Diante de tudo isso, a intransigência em querer aprovar o plano apenas reforça as suspeitas de favorecimento a interesses políticos e eleitorais. O GDF precisa provar o contrário.

Publicado originalmente no Jornal de Brasília 24/03/2014.