Planejar Brasília

por acm

Ao longo de 52 anos de existência, foram poucos os governos que planejaram Brasília para o futuro. O crescimento desordenado trouxe sérias consequências para a capital, que em outros tempos já foi exemplo de qualidade de vida e de organização. Insegurança, falta de conservação e desemprego são apenas alguns dos problemas. Com a partida de Oscar Niemeyer, o homem que traçou com maestria nossa capital, a beleza de Brasília voltou a estampar os jornais e as telas da TV. E nada mais oportuno do que perguntar: qual será o legado que vamos deixar para as próximas gerações? Será que a tranquilidade e a prosperidade de Brasília existirão apenas em lembranças nostálgicas?

Ressalto que a despeito da situação atual da nossa cidade, surgiram boas iniciativas para reverter esse quadro. Além da Federação do Comércio, que se dedica a debater mensalmente o modelo de desenvolvimento econômico adotado no DF, com a realização de um ciclo de palestras chamado Brasília 2015, outras entidades se mobilizaram para discutir a mesma questão, como a própria Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), que realizou um seminário no final de 2012. A conclusão inicial a que os especialistas chegaram é que um dos principais entraves é a falta de investimento nas cidades ao redor do DF, o que leva à grande concentração de empregos na capital federal.

Precisamos discutir mais e pensar no planejamento de Brasília. Com a mobilização da sociedade, conseguiremos chegar a mudanças efetivas que evitarão o colapso e o caos. O DF tem potencial para atender a todos, de forma democrática e igualitária e pode ser destaque não apenas por seu projeto arquitetônico de vanguarda, mas por ser uma terra de oportunidades, onde todos têm espaço para viver e crescer com qualidade e segurança. Fomos destinados a ser um exemplo para a nação e não podemos deixar que os sonhos daqueles que concretizaram a nova capital sejam perdidos por falta de planejamento.

Adelmir Santana – Presidente do Sistema Fecomercio-DF

Brasília, 21 de janeiro de 2013

Publicado originalmente no Jornal de Brasília 14/01/2012