Paz e fraternidade

por acm

Adelmir Santana

Presidente da Fecomércio-DF, entidade que administra o Sesc, o Senac e o Instituto Fecomércio no Distrito Federal.

Praticar a paz deveria ser um exercício diário em qualquer ambiente. Preocupa-me, cada vez mais, a escalada da violência em nossa sociedade. As pessoas parecem ter perdido a capacidade de dialogar e viver em harmonia. Infelizmente, essa realidade tem sido observada em diversos espaços. Casos de selvageria se tornaram rotineiros, seja no trânsito, nos estádios de futebol, nas ruas e até mesmo nas redes sociais. Muitas vezes, por motivos banais, as pessoas trocam ofensas e agressões. Conforme a maioria dos especialistas no assunto costuma atestar, a culpa não é da escassez de policiais ou da falta de recursos. Isso contribui, mas o verdadeiro problema está na intolerância, na falta de educação e na impunidade. Além da extrema desigualdade social existente no Brasil.

Vivemos uma crise de valores éticos e morais. Viver em sociedade requer respeito ao próximo, às diferenças e, sobretudo, à vida. É preciso educar os cidadãos ainda cedo para que aprendam a ser solidários e preservem esses valores. A banalização começa quando passamos a encarar a violência como algo normal e quando deixamos de dar valor ao ser humano. Quando a vida perde o sentido, resta muito pouco ou quase nada a se fazer. Defendo a adoção de programas de valorização da condição humana e da cidadania, tanto em escolas públicas quanto particulares.

Paralelamente, em outra frente, é preciso punir quem comete um crime. O exemplo da impunidade serve como um incentivo ao criminoso. Apenas reforça a premissa de que ninguém vai para a cadeia no Brasil. É necessário romper esse paradigma. Já avançamos bastante, é verdade. Atémesmo alguns bandidos de “colarinho branco” foram parar na cadeia em 2013, o que antes era impensável. No entanto, a Justiça ainda precisa ser mais célere, com respeito ao direito de defesa, obviamente. No final das contas, temos que acabar com a cultura do jeitinho, da malandragem e da violência.

Publicado originalmente no Jornal de Brasília 30/12/2013.

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