O recado das ruas

por acm

O gigante acordou. Essa tem sido um das mensagens mais expressivas emitidas pelos manifestantes nos últimos dias. Mas e as autoridades? Os governantes do nosso País entenderam o recado das ruas ou eles permanecem adormecidos? A resposta parece apontar para a segunda direção. Alguns mandatários brasileiros, após os protestos, simplesmente procuraram reduzir o preço das tarifas de ônibus. Outros, apenas se declararam confusos diante da pluralidade das reivindicações. Essas não são as reações esperadas. É preciso ir além.

O alvo da população, apesar de ter várias cores, pode ser identificado. Desde o início das manifestações comentei que a questão dos vinte centavos não era o fator determinante. O que pesa na opinião pública é a carestia, a má qualidade dos serviços públicos, a corrupção desenfreada em todos os níveis, a definição de prioridades contrárias aos interesses do povo e a falta de uma perspectiva de mudança. Isso nos leva, em síntese, ao menos a uma constatação: a sociedade não está satisfeita com o atual sistema partidário e eleitoral brasileiro. O cidadão perdeu a crença em transformações concretas por meio do voto. Essa frustração se deve, sobretudo, aos conchavos, à corrupção, ao financiamento privado de campanhas, aos políticos corruptos e aos partidos fisiologistas.

Para reverter esse quadro é preciso urgentemente fazer a reforma política. Devemos lutar por essa bandeira. O que deve ser evitado são os radicalismos e a violência. Existe num instante como esse o risco do surgimento de falsas lideranças, bem como do fortalecimento da repressão, levando o movimento a debandar para um lado não desejado por ninguém. A democracia brasileira amadurece a cada dia e ganha mais força com os protestos pacíficos. Devemos torná-la ainda mais participativa, nunca o contrário. Como dizem as vozes das ruas, o vandalismo não nos representa. Seja ele de qualquer natureza, política ou social.

Publicado originalmente no Jornal de Brasília 24/06/2013

Brasília, 24 de junho de 2013.

Adelmir Santana – Presidente da Fecomercio-DF, entidade que administra o Sesc, o Senac e o Instituto Fecomércio no Distrito Federal