Instituto Fecomércio debate conjuntura econômica com lojistas de shoppings

por acm

Empresários da cidade se reuniram na manhã desta quinta-feira (18), no Pátio Brasil Shopping, para acompanhar o primeiro Workshop Conjuntural 2016, realizado pelo Instituto Fecomércio (IF). Durante o encontro, foram apresentados números sobre a economia mundial, sobre a situação do Brasil e sobre a atual conjuntura econômica local. Também foram apresentados os resultados da pesquisa de expectativa de vendas para Páscoa.

O presidente da Fecomércio-DF, Adelmir Santana, abriu o workshop. Ele mostrou que as pesquisas elaboradas pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e pela própria Federação indicam que 2015 teve o pior resultado para o setor terciário nos últimos 15 anos.

“É necessário conscientizar e informar os empreendedores sobre a atual situação econômica do País. Naturalmente, os pequenos empresários encontram mais dificuldade de conseguir dados sobre o mercado, principalmente por estarem batalhando todos os dias atrás do balcão, lutando pelo cliente. Por isso, encontros como estes se tornam muito importantes”, ressaltou Adelmir Santana. “É importante que o empreendedor entenda o cenário para assim conduzir melhor o seu negocio”, completou Adelmir.

Dando sequencia ao encontro, a diretora executiva do Instituto Fecomércio, Elizabet Campos, destacou que os dados levantados pelo IF são de extrema importância para o comércio e a intenção é levar o workshop para outros shoppings da cidade. “A ideia é que esses encontros ocorram bimestralmente, cada vez em um shopping diferente, buscando benefícios para os empreendedores da capital”, explicou Elizabet.

A palestrante do encontro, a consultora Andrea Antinaro, começou a sua explicação falando um pouco da conjuntura econômica mundial. No entendimento dela, não só o Brasil sofre com a crise, mas sim o mundo todo, o que gera um efeito dominó. “Os países emergentes reduziram seu ritmo de crescimento e estão passando por crises de gestão interna e econômica, o que afeta muito o sistema econômico global, pois eles são os fornecedores da demanda de serviços mais sofisticados dos países desenvolvidos”, disse. Ela afirmou ainda que na Europa o cenário não é muito diferente. “A zona do euro está com a taxa de desemprego elevada e passa por um processo de tentativa de recuperação, o que afeta a economia e as nossas transações econômicas como um todo”, enfatizou Andrea.

A consultora explicou que os países pertencentes ao grupo denominado Brics também passam por dificuldades, como a China, por exemplo, que registrou uma retração no seu ritmo de expansão quando comparado com anos anteriores. Ela também falou da situação atual do DF e do Brasil. “O comércio varejista teve o pior natal em 12 anos. Fechamos 2015 com taxas muito ruins. Mas, se começarmos a vivenciar e a investir no pessimismo, não vamos a lugar nenhum. O primeiro desafio é resistir e conseguir sair do outro lado. A primeira alternativa é: não nos contagiar com todo esse cenário, pois nesse momento muita coisa acontece, boa ou ruim. Novas forças precisam surgir”, afirmou Andrea.

Durante a sua explicação, ela disse que é preciso ficar atento ao nível de endividados no País, que está cada vez maior, chegando a mais de 80% no DF. “O consumidor, mesmo endividado, continua com a intenção de comprar. O que acontece é que o cliente está escolhendo aonde gastar o pouco dinheiro que lhe resta. Por isso, é importante entender essa realidade. Os comerciantes estão com a oferta e com a possibilidade de ajudar o cliente a escolher como gastar melhor o recurso disponível. Neste aspecto, é necessário ter uma qualidade maior no serviço, diferenciar e sobressair”, ressaltou.

Em relação aos dados da Páscoa de 2016, a analista acredita que os números da pesquisa do Instituto Fecomércio mostram que os lojistas estão mais pessimistas do que os clientes. “Os gastos com presentes na visão do consumidor devem ficar na média de R$ 123. A surpresa é que o lojista acha que o cliente vai gastar menos, cerca de R$ 103, indo na contramão de sua oportunidade de venda”. Andrea destacou ainda que 59% dos entrevistados afirmaram que vão comprar algum produto. “É um número relativamente bom, porém o lojista está pisando no freio, isso não pode continuar assim”, complementou.