Descentralização

por acm

Adelmir Santana

Presidente da Fecomércio-DF, entidade que administra o Sesc, o Senac e o Instituto Fecomércio no Distrito Federal.

A Fecomércio tem se dedicado nos últimos anos, por meio de um projeto Brasília 2015, a debater e propor soluções para os problemas da cidade. Ao longo desse período, diversos especialistas passaram pelos encontros promovidos pela Federação. Ouvimos urbanistas, arquitetos, geógrafos, economistas e muitos outros profissionais interessados em planejar o Distrito Federal. Um problema tem sido apontado com frequência. Trata-se da centralização da atividade econômica e das principais fontes de emprego no Plano Piloto. Isso não apenas provoca congestionamentos e diversas dificuldades de mobilidade urbana, como impõe ao trabalhador do Entorno uma rotina desumana no seu deslocamento para o trabalho.

Tal modelo prejudica muito a qualidade de vida do cidadão. Precisamos preparar Brasília para um futuro mais sustentável e não amontoar os habitantes em trânsitos congestionados e ônibus precários. Para se ter uma ideia do problema, a área central concentra 47,7% dos empregos do DF e registra apenas 8,17% da população da região. Enquanto que as cidades ao redor do Plano Piloto registram quase 91,83% da população e 52% dos postos de trabalho. No Rio de Janeiro, apenas 16% da população ativa trabalha no centro. Em Brasília o número é três vezes maior. É preciso que o Governo do DF, este ou o próximo, trate o Entorno como uma região de desenvolvimento.

Não se pode analisar Brasília isoladamente, como uma ilha no meio do Brasil. É necessário ainda conter a expansão descontrolada e promover a possibilidade de emprego nas cidades próximas. Outra solução adequada seria a criação da Região Metropolitana do DF, que hoje existe de fato, mas não de direito. A formalização dessa região resolveria o problema de ausência de responsabilidade sobre alguns municípios vizinhos, que passariam a contar com recursos federais para investimento em áreas como saúde, segurança e transporte.

Publicado originalmente no Jornal de Brasília 30/06/2014.