Copa e mobilidade

por acm

Adelmir Santana

Presidente da Fecomércio-DF, entidade que administra o Sesc, o Senac e o Instituto Fecomércio no Distrito Federal.

Sempre imaginei que o principal legado da Copa do Mundo no Brasil seria o da mobilidade urbana. A partir das mudanças planejadas para receber o torneio a população poderia contar com vias expressas e ganharia novos meios de locomoção, mais modernos e sustentáveis. Seria um exemplo de progresso. Mas, como todos sabem, não foi o que ocorreu. A primeira versão da chamada Matriz de Responsabilidades, espécie de plano estratégico elaborado pelo governo, previa 49 intervenções urbanas nas capitais.

Esse número foi revisado depois para 41 intervenções e dessas, a menos de um mês do Mundial, apenas quatro foram entregues. Em Brasília, apenas uma obra foi incluída na Matriz de Responsabilidades – a passagem subterrânea que dá acesso ao Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek. Essa obra foi entregue no dia 5 de maio. Quem esperava pela inclusão no planejamento de uma possível ampliação do metrô, de um Veículo Leve Sobre Trilhos ou Sobre Pneus se decepcionou.

As propostas para um novo conceito de transporte público não se concretizaram. Para fazer justiça, podemos acrescentar melhorias realizadas no aeroporto. O turista que visitar Brasília, portanto, enfrentará o mesmo caos no trânsito que o brasiliense encara todos os dias. Para não falar da insegurança e do atendimento precário nos hospitais. Mas o País ainda pode fazer bonito no campo e, principalmente, fora dele, com civilidade e educação. Nesse sentido, o Comércio se preocupou em capacitar os seus funcionários para receber bem os visitantes.

Administrado pela Federação do Comércio, o SENAC ofereceu 167 cursos de capacitação com foco na Copa do Mundo, com treinamentos para garçons, cozinheiros, camareiras e manicures, entre outros. Quase 3 mil pessoas foram capacitadas. Acreditamos que se o turista for bem atendido e bem orientado ele ficará com vontade de regressar e, pelo menos nesse quesito, teremos conquistado um importante legado.

Publicado originalmente no Jornal de Brasília 19/05/2014.