Brasília ameaçada

por acm

Adelmir Santana – Presidente da Fecomércio-DF, entidade que administra o Sesc, o Senac e o Instituto Fecomércio no Distrito Federal.

Preservação.Esse é o conceito a ser analisado nas discussões sobre o planejamento urbano do Distrito Federal. Surpreendentemente, é o que mais tem sido esquecido. Propõe- se alterar, em diversas regiões administrativas, inclusive na área tombada do Plano Piloto, a destinação de alguns lotes e o tamanho máximo de muitas construções. Por outro lado, pouco se fala em implantar, nas cidades ao redor da capital, atividades geradoras de emprego e renda. Se alterações profundas forem realizadas, a tendência é apenas uma: o colapso de Brasília, do trânsito e de seus equipamentos públicos, que serão cada vez mais demandados.

É necessário discutir os estudos de impacto e a finalidade das alterações propostas. Afinal de contas, para que serve uma Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos) e um Plano de Preservação Urbanístico (PPCub) se não for para promover um ordenamento territorial adequado e garantir a qualidade de vida da população? Em sua proposta original, o governo propôs a construção da Quadra 500 do Sudoeste, a criação da 901 Norte, a transformação de clubes na orla em hotéis e até a criação de lotes no canteiro do Eixo Monumental. Após a pressão da comunidade, o governador prometeu suprimir boa parte desses pontos. Restam ainda questões pontuais a serem analisadas, como a construção de um shopping no Lago Sul e o aumento do gabarito em Taguatinga, entre outras.

O mais adequado é que nada seja feito sem o debate com a sociedade e com os urbanistas brasilienses. O cidadão, por sua vez, precisa participar das discussões e abraçar a preservação da cidade. O desenvolvimento urbano não precisa ferir o tombamento do Plano Piloto, muito pelo contrário. Não me canso de repetir: a solução para os problemas do Distrito Federal está fora de Brasília. É preciso investir em pólos econômicos, escolas e hospitais nas regiões carentes do DF, com planejamento e não às pressas ou de forma improvisada, e tudo isso dentro da legalidade.

Publicado originalmente no Jornal de Brasília 25/11/2013. Brasília, 25 de novembro de 2013.